Bizarrices no Whatsapp, Facebook e afins…

Um certo sábado pela manhã, logo que entrei (atrasada) na sala de aula, minha colega de classe comentou:

– Teve um acidente lá pro lado que você mora, né?

– Sim – respondi. E contei que tinha acontecido, pois estava passando pelo local logo depois que o acidente aconteceu.

– Você viu aquele acidente dos 3 meninos na cidade tal? Perguntou minha amiga.

– Não, não vi. O que aconteceu?

– Foi com uns meninos de bicicleta e um caminhão. Quer ver o vídeo? Tá no meu Whats.

Na minha distração matutina (que se acentua em aulas aos sábados), aceitei assistir ao vídeo, sem imaginar a gravidade do acidente.

Quando ela comentou, pensei que fosse um vídeo daqueles que, incrivelmente, todo mundo sai são e salvo. Não imaginava que aquele vídeo registrava o momento da morte daqueles garotos. Além do vídeo, também estavam disponíveis fotos dos corpos dos garotos (que eu recusei ver).
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Fiquei com aquela cena na minha cabeça o dia todo. Comentei com meus colegas de trabalho sobre o vídeo e, para a minha surpresa, eles já tinham assistido. Como? Sim, pelo Whatsapp, claro!

Entre todos os pensamentos que rodearam a minha mente fiquei imaginando o que leva uma pessoa a ficar compartilhando esse tipo de material em suas redes sociais…Por que tanta gente tem interesse por tragédias, por cenas de morte, de acidentes graves, homicídios, violência?

Pesquisando um pouquinho sobre o assunto e encontrei algumas explicações:

Segundo algumas observações da psicologia, o ser humano tem sim, uma certa admiração por violência, tragédias e mortes.

O Pai da Psicanálise, Sigmund Freud  dizia que a cada pessoa já nasce com certa dose de violência, como um impulso instintivo  que está lá guardado, em algum canto da mente.Para a teoria Psicanalítica, o interesse pela violência pode funcionar como uma forma canalização e alívio dos impulsos destrutivos do ser humano.

Esse processo é conhecido como catarse, que pode ser aqui entendido como uma forma de experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora.

Ou seja, em maior ou menor escala, as pessoas tem sim, ainda que inconscientemente, sentimentos negativos como raiva, ira, frustrações. O interesse por fotos e vídeos de tragédias podem servir como uma válvula de escape para a todos esses sentimentos e impulsos primitivos.

Há ainda aqueles que afirmam que observar as formas de término da vida alheia pode servir como meio de enfrentar o medo da própria morte.

Independente das afirmações de qualquer estudioso traga, nada me convence de que seja aceitável o compartilhamento de materiais como o vídeo que minha colega mostrou.

Considero esse tipo de exposição uma total falta de respeito à memória das vítimas, mas, principalmente, com a dor dos familiares. Você consegue imaginar uma mãe recebendo a foto de seu filho nessas condições? Na minha opinião, é algo, no mínimo, desumano.

As redes sociais são ótimas para várias coisas: através delas podemos conversar com aqueles que estão distantes, reencontrar velhos amigos, conhecer novas pessoas, motivar uns aos outros. Creio que essa seja a forma saudável de utilizarmos às redes. Por que compartilhar aquilo que não edifica, que não ajuda, que não traz sorrisos?

Sei que este post foi um pouco pesado, mas acredito que devemos ter atitudes conscientes. Tudo o que fazemos traz consequências para nós e quem está ao nosso redor.

No dia de hoje, que tal compartilharmos o amor, o respeito, o bom humor?

Fique à vontade para deixar sua opinião nos comentários.

Beijinhos

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